Por: Arthur Caldeira
Da Infomoto
Matéria publicada no UOL Carros:

Não importa marca ou modelo, nem se você está em um posto de gasolina no interior de Minas Gerais ou no mais descolado restaurante de São Paulo. Basta pilotar uma moto esportiva qualquer para ser alvo da corriqueira pergunta: “essa aí é tipo Ninja?”.
Completando 30 anos de história em 2014, a famosa linha da japonesa Kawasaki deu origem a mais de uma dezena de modelos, todos com características, carenagens e desempenho marcantes. Por isso, tornou-se referência no segmento e praticamente um sinônimo de “moto esportiva”.
A primeira a surgir foi a GPZ900R, de 1984, que chegou a ser pilotada pelo personagem Maverick, de Tom Cruise, em Top Gun – Ases Indomáveis. Desde então, a família cresceu, ganhou vários membros novos e ditou os padrões de velocidade e potência das últimas décadas.

Infomoto selecionou nove modelos que transformaram o linha Ninja em uma das mais conhecidas da história das duas rodas. Conheça um pouco de cada um abaixo:

GPZ900 – A PIONEIRA
Screen Shot 2014-06-04 at 11.33.50 AM

Quando surgiu, a primeira Ninja não carregava esse nome. A GPz900, uma tetracilíndrica de refrigeração líquida e 113 cv de potência, ganhou o apelido quando desembarcou nos Estados Unidos, pouco depois de seu lançamento no Japão. Conta-se que foi o diretor de marketing da Kawasaki no país, Mike Vaughan, quem teve a ideia de inscrever “Ninja” na carenagem da esportiva, inspirado na série de TV nipoamericanaShogun.

Devido ao desempenho estúpido, muito acima de outras quatro-cilindros de sua geração, a moto e o nome fizeram sucesso de imediato. Reza a lenda que, por causa do excesso de procura pela esportiva, a Kawasaki não conseguiu oferecer a Ninja 900 aos produtores de Top Gun. Entretanto, por insistência de Cruise, as motos acabaram compradas pela produção. Não é mais vendida.

SCROLL_TEXT

ZX-7R – A INOVADORA
Screen Shot 2014-06-04 at 11.34.10 AM

Com assento monoposto e motor de 749 cm³, a ZX-7R foi a última Ninja da década de 1980. Ela contava com algumas características peculiares e inovadoras, como o controverso conjunto de dois tubos acima do tanque de combustível, que cruzava a mesa de direção e servia para alimentar a caixa de ar. Esta também foi a primeira Kawasaki a ter pinças de quatro pistões nos freios. Não é mais vendida.

SCROLL_TEXT

 ZX-11R – A LIGEIRA
Screen Shot 2014-06-04 at 11.34.19 AM 

Quando chegou ao mercado, no começo dos anos 90, a ZX-11R foi declarada a moto de produção mais veloz do mundo, perdendo esse posto apenas cinco anos depois, quando do lançamento da Honda CBR 1100XX Blackbird. Na carenagem, o farol único retangular e as grandes luzes dianteiras de seta chamavam a atenção. Abaixo, um motor tetracilíndrico de 1.052 cm³, com refrigeração líquida, gerava potência de 145 cavalos (a 9.400 rpm). Não é mais vendida.

SCROLL_TEXT

ZX-9R – O PATINHO FEIO
Screen Shot 2014-06-04 at 11.34.29 AM

Introduzida em 1994, a Ninja ZX-9R surgiu para ser uma evolução da GPz900 e também uma resposta à CBR 900RR Fireblade, superesportiva da Honda. Produzida até 2002, a motocicleta de 900 cc inaugurou a arquitetura de um motor com quatro cilindros em linha e 16 válvulas, refrigerado a água. Tal usina conseguia produzir 139 cavalos (a 10.500 rpm), e torque de 9,5 kgfm (aos 9.000 giros).
Contudo, jamais conseguiu atingir o sucesso pretendido pela Kawasaki, pois era mais pesada, menos ágil e com desempenho em curvas pior que o de sua principal rival. Mesmo assim,  ajudou a manter a fama da linhagem Ninja. Não é mais vendida.

SCROLL_TEXT

ZX-12R – A VELOZ DOMADA
Screen Shot 2014-06-04 at 11.34.39 AM

Produzida entre 2000 e 2006, a Ninja ZX-12R veio para repetir o feito da antecessora 11R, tomando da Suzuki Hayabusa o posto de moto mais veloz do mundo na época. Para isso, trazia um propulsor de 1.199 cm³ (também tetracilíndrio em linha), capaz de gerar 161,2 cv e 12,4 kgfm.
Sua velocidade máxima poderia romper facilmente a marca dos 300 km/h, mas um acordo firmado pelas fabricantes de superesportivas ainda no primeiro ano de sua produção obrigou a Kawasaki a limitar o pico em 300 km/h. Não é mais vendida.

SCROLL_TEXT

250R – A PEQUENINA
Screen Shot 2014-06-04 at 11.34.48 AM

Além de ser um modelo de cilindrada mais baixa a levar o nome Ninja, a 250R ajudou a popularizar o conceito de miniesportiva no Brasil. Com pedaleiras recuadas e semiguidões, a pequenina ajudou a Kawasaki a fincar raízes no país quando iniciou suas operações por aqui, em 2009. Mesmo dois anos após sair de linha, a “Ninjinha” 250 ainda faz sucesso em território nacional e pode ser encontrada nas concessionárias a partir de R$ 13.990.

SCROLL_TEXT

ZX-10R – A SUPERESPORTIVA TECNOLÓGICA
Screen Shot 2014-06-04 at 11.35.03 AM

Com 1.000 cc, é o modelo mais esportivo da família atualmente, além de reconhecido por sua excelência em desempenho e tecnologia de ponta — controle de tração e acelerador ride-by-wire são alguns dos assistentes eletrônicos embarcados.
Só que nem sempre foi assim: no fim dos anos 1980, a ZX-10 original (que não levava a letra “R”, de “Racing”) passou longe de agradar totalmente especialistas e  público. Mesmo assim, a Kawasaki resolveu relançar a linha em 2003, na forma de uma potente e nervosa superesportiva para as pistas.
A última geração, de 2010, conta com propulsor quatro tempos de 998 cm³, refrigeração líquida, quatro cilindros em linha e capaz de produzir até 201 cv (a 13.000 rpm) e 11,4 kgfm (a 11.500 rpm). Como pesa 198 kg, sua relação peso/potência é de incrível 1,01 cv/kg. Preço sugerido no Brasil: R$ 61.990 R$ 65.990 com freios ABS (antitravamento).

SCROLL_TEXT

 ZX-14R – A IRMÃ MAIOR
Screen Shot 2014-06-04 at 11.35.18 AM

Apresentada em 2006, como substituta da ZX-12R, é um verdadeiro foguete. Há três anos, foi reformulada e ganhou números que impressionam: 268 quilos, mais de dois metros de comprimento, motor tetracilíndrico de 1.441 cm³ e capacidade para gerar 210 cv de potência. Nessa mesma época, ganhou a letra “R” no nome para indicar que estava ainda mais nervosa, além de novos aparatos tecnológicos, como motor, suspensões e controles eletrônicos. Custa R$ 52.990 na versão padrão e R$ 56.990 se vier com ABS.

SCROLL_TEXT

 Ninja 300 – A ATUAL CAÇULA
Screen Shot 2014-06-04 at 11.35.29 AM

Surgiu como uma evolução da 250R no segmento das miniesportivas. Desde o visual até a embreagem deslizante, quase tudo na nova “Ninjinha” é inspirado na irmã maior ZX-10R. O propulsor bicilíndrico de 296 cm³, com oito válvulas e arrefecimento líquido, oferece 39 cv de potência e 2,8 kgfm  de torque. No Brasil, é vendida por R$ 17.990 na versão básica, e R$ 20.990 com sistema antiblocante nos freios.

SCROLL_TEXT

Zx-6R 636 – ACIMA DA MÉDIA
Screen Shot 2014-06-04 at 11.45.28 AM

ACIMA DA MÉDIA
Depois de cerca de 300 km com a moto, podemos concluir que a nova está “acima da média”. Principalmente se comparada às suas concorrentes diretas, como a Honda CBR 600 RR (à venda no Brasil), Suzuki GSX-R 600 e Yamaha YZF R6.

A nova Ninja 636 é a única esportiva entre as japonesas de média capacidade que conta com um completo pacote tecnológico de segurança: freios ABS, controle de tração e dois modos de pilotagem. Além disso, tem motor mais potente e ciclística digna de motos de 1.000 cc.
Leia matéria completa

SCROLL_TEXT

CONFIRA O VÍDEO OFFICIAL DA NOVA NINJA E SURPREENDA-SE EM CADA DETALHE

Matéria publicada em: infomoto.blogosfera.uol.com.br
Por: Roberto Brandão Filho

 No início da década de 1980, nascia um ícone em duas rodas. Há exatos 30 anos, a Kawasaki lançou a primeira motocicleta da família Ninja, em 1984. Desde então, o modelo é referência no segmento e virou até símbolo das superesportivas. Quando era pequeno, me lembro de chamar todas as motocicletas esportivas carenadas de Ninja, e até hoje isso acontece. É comum ver pessoas de fora do “universo motociclístico” chamarem as superesportivas de “Ninja”.
Para celebrar as três décadas de adrenalina, a Kawasaki preparou dois modelos especiais: a Ninja ZX-10R 2015 e a Ninja ZX-6R 2015, ambas edições comemorativas dos 30 anos da família. Foram feitas apenas mudanças visuais, com retoques nas cores das carenagens. Os dois modelos serão produzidos na cor verde com detalhes em branco e carenagens laterais com emblemas de aniversário em ambos os lados.

Ninja ZX-10R

POST_ZX-10R_02-1024x685

Ninja ZX-6R

POST_ZX-6R_01-1024x767

Sykes_Test_Jerez_2014-1024x682

O esquema de cor das edições comemorativas são baseadas na motocicleta de Tom Sykes no Mundial de Superbike

Além da nova cor – baseada na motocicleta utilizada por Tom Sykes no Mundial de Superbike –, a edição especial da ZX-10R em comemoração aos 30 ano traz também a mola do amortecedor traseiro e a cobertura do garfo dianteiro pintadas na cor verde Kawasaki. Fora isso, nada mais foi modificado na parte estética da motocicleta.
Esperávamos que, ao comemorar as três décadas da Ninja, a Kawasaki fosse atualizar a parte técnica da motocicleta. No entanto, isso não aconteceu. Dessa forma, a Ninja ZX-10R 2015 30th Anniversary, como é chamada, carrega o mesmo propulsor de quatro cilindros em linha e 998 cm³, capaz de gerar 200,1 cavalos de potência as 13.000 rpm e torque máximo de 11,4 kgf.m aos 11.500 giros. Como item de série, a versão 2015 traz também o controle de tração esportivo da Kawasaki (S-KTRC) e amortecedor de guidão eletrônico da Öhlins.
Assim como sua irmã, a versão de 636 cm³ da Ninja, chamada de ZX-6R 30th Anniversary, sofreu apenas alterações visuais, as mesmas do modelo de 1.000 cc. Equipada com motor de quatro cilindros em linha e 636 cm³ de capacidade, a motocicleta é capaz de gerar 131 cavalos de potência as 13.500 rpm e torque máximo de 7,2 kgf.m aos 11.500 giros.
A edição especial dos 30 anos de aniversário da ZX-6R traz também um controle de tração em três níveis que, segundo a Kawasaki é mais sofisticado que o de sua irmã mais velha. O “modo 1” oferece desempenho para as pistas de competição, o “modo 2” disponibiliza uma performance esportiva para o dia a dia e o “modo 3” foi desenvolvido para superfícies escorregadias. O controle de tração, o KTRC, na ZX-6R também pode ser totalmente desativado. Assim como a ZX-10R, a nova Ninja ZX-6R oferece freios ABS (KIBS) como opcional por U$ 1.000 a mais.

Confira o vídeo comemorativo da Kawasaki em homenagem a família Ninja

 

KAWASAKI Z1000 2015 - VÍDEO OFICIAL

 

VÍDEO OFICIAL DA NOVA NINJA 1000 ABS TOURER 2015

 

 

 

Matéria publicada: g1.globo.com/carros/
Por: Rafael Miotto

Matéria publicada em: carplace.virgula.uol.com.br
Por:  Daniel Messeder 

Avaliação: Kawasaki Ninja 300 e Honda CBR 500R  em “caçadores de emoção”

Honda-CBR-500-R-x-Kawasaki-Ninja-300-Carplace-46-620x413
Foto: Rafael Munhoz

 

Honda-CBR-500-R-x-Kawasaki-Ninja-300-Carplace-59-620x413

Foto: Rafael Munhoz

“Olha, motos de corrida! Qual será que vai ganhar?”, perguntou a menininha para a mãe ao lado, enquanto a gente vestia luva e capacete. Não importa a idade, esportivas mexem com o imaginário das pessoas. Coloridas e com desenho chamativo, Honda CBR 500R e Kawasaki Ninja 300 são apenas a porta de entrada desse universo, mas nem por isso deixam de ser divertidas e desejadas. Foi o que CARPLACE MOTO comprovou ao acelerar essas japas durante uma semana, rodando na cidade, em rodovias e, claro, na nossa estradinha sinuosa favorita. Tudo isso para responder a pergunta da garotinha!
Antes de dar a partida, já avisamos: diferente do comparativo entre as nakeds CB 500F e ER-6n, no qual consideramos diversos aspectos (não só desempenho, mas também conforto, consumo e praticidade), aqui vamos atuar como o Patrick Swayze em “Caçadores de emoção”, filme de sucesso dos anos 1990: queremos diversão a todo custo – mas sem roubar bancos vestindo máscaras de ex-presidentes, OK? Qual delas empolga mais na pilotagem? Qual abre o sorriso mais largo dentro do capacete? Afinal, se não é esportividade que você quer, melhor procurar outras motos.
A CBR 500R é a versão agressiva da nova família de média cilindrada da Honda, com diferenças na posição de pilotagem, mais inclinada, e carenagem frontal. Já a Ninja 300 é o modelo de acesso à gama de esportivas da Kawasaki, com visual e alguma técnica das irmãs maiores, só que em escala reduzida. E aí você nos questiona: “Mas 500 contra 300 não é covardia?”. Bom, prepare-se para surpresas.
Para começar, a Ninja não é uma simples “trezentas”. Com dois cilindros paralelos e duplo comando das oito válvulas, o motor de exatas 296 cm3 entrega nada menos que 39 cv a 11 mil rpm e 2,8 kgfm a 10 mil rpm. Mal comparando, uma Honda CB300 R (a mais vendida do Brasil nesta cilindrada) gera apenas 26,7 cv a 7.500 rpm com seu cilindro único – embora o torque seja semelhante. A diferença, como você já deve ter notado pelos dados da Ninjinha, está na capacidade de giro do propulsor da Kawa, que tem corte eletrônico somente a 13 mil rpm! Resultado: compacta e leve (174 kg nesta versão com ABS avaliada), ela anda muito mais do que se espera de uma 300.
A CBR, por outro lado, investe no visual invocado mas não abre mão do conforto e docilidade que caracterizam a irmã 500F. O motor é o mesmo bicilíndrico paralelo de 471 cm3, 50,4 cv a 8.500 rpm e 4,5 kgfm de torque a 7 mil rpm. Trata-se de uma faixa de rotação modesta para uma esportiva, como podemos perceber na comparação com o regime de giros da Ninja. Em compensação, o torque é bem maior e “chega” antes – garantia de saídas mais rápidas e menos reduções de marcha nas retomadas. Mesmo com porte um pouco maior que o da rival, a Honda também é peso leve: 181 kg nesta versão sem ABS avaliada.
Começando o rolezinho pela cidade, eu e o nosso consultor técnico Eduardo Silveira tivemos opiniões diferentes. Ele preferiu a CB pela resposta mais pronta do motor, além da suspensão ligeiramente mais macia para enfrentar a lida do dia-a-dia. Também gostei da agilidade e da posição de pilotagem da Honda, menos inclinada para a frente. No entanto, a leveza e largura ainda mais compacta da Ninjinha me encantaram. Tudo bem que às vezes você tem que “acordar” o motor com algumas reduções de marcha, mas a 300 é bem mais agradável que a antiga Ninja 250 em baixos giros. Fora isso, o legal da 300 é que ela pode ser usada de duas maneiras diversas: trocando marchas a até 5 mil giros, é uma mansa 300, bem dócil e fácil de tocar no trânsito. Acima disso, empolga como nenhuma 300 é capaz de fazer. O câmbio de seis marchas ajuda com engates muito suaves e mais silenciosos que na Honda. Só é preciso se acostumar com os solavancos vindo do piso, que a suspensão durinha da Kawa não é capaz de digerir.
Saindo para a autoestrada, aí a CB 500 faz valer seu motor maior. Além viajar mais sossegada (5.500 rpm a 120 km/h em sexta), o torque extra garante resposta mais decidida nas ultrapassagens e a suavidade do bicilíndrico impressiona em rotações médias. Já a Ninjinha não se faz de rogada na hora de acompanhar a 500, mas o motor menor depende de um câmbio de relações curtas para se manter vivo. Resultado: elevadas 8 mil rpm a 120 km/h em sexta, o que ocasiona, além do maior ruído, também um nível de vibrações mais sensível para o condutor. Pensando em viajar com garupa? Então esqueça a Ninja. O assento traseiro é ínfimo (a moto avaliada veio até com uma cobertura opcional que a torna um monoposto) e o local do passageiro se segurar é ruim. Não que a Honda seja confortável para o garupa, mas ao menos o banco é maior e mais largo, e a alça de segurança fica bem acessível.
Ninja 300 ABS_action b.medA hora da verdade, porém, vem quando a gente entra na estradinha tortuosa. E é a Ninjinha, acredite, que despeja mais adrenalina na corrente sanguínea: começa pelo motor que muda de comportamento em altas rotações (lembra o VTEC do Honda Civic Si), passa pela leveza do conjunto para apontar nas curvas e termina no acerto mais firme para pilotar agressivamente. O motor é muito elástico, rasgando rotações até 13 mil rpm com um ronco instigante, que realmente lembra uma esportivona. Levinha, ela é ótima para iniciantes em busca de emoção, pois é fácil de levá-la aonde você deseja. As suspensões firmes oferecem mais confiança nas curvas, apesar do pneu dianteiro estreito. E os freios parecem superdimensionados para o tamanho da moto, com excelente resposta – especialmente nesta versão com ABS.
Se você deseja desempenho puro, porém, a Honda anda mais. Ela acelera de 0 a 100 km/h em cerca de 6 segundos, contra 7 s da Ninjinha. E na reta da pista fechada onde chegávamos a quase 160 km/h, a Kawa não chegava a 150 km/h. Mas a verdade é que a CBR não anima como a rival numa tocada mais forte. O motor que vai bem em giros médios “acaba” antes (9 mil rpm) e não fica muito à vontade em rotações elevadas. A suspensão mais macia que agrada na cidade cobra seu preço em curvas mais velozes, deixando a traseira balançar um pouco, principalmente ao passar por ondulações, enquanto os freios não parecem ter a mesma “mordida” imediata da Kawa. Não que a ciclística da Honda deixe a desejar, pelo contrário, é uma moto muito bem acertada. Mas, na hora do “vamos ver”, a Ninjinha é mais “na mão” e o temperamento nervoso do seu motor faz toda a diferença na empolgação que toma conta do piloto.
Por último, mas não menos importante, a tem a questão visual. E a verdade é que na Honda o painel e o acabamento destoam da belíssima carenagem dianteira com faróis duplos. O quadro de instrumentos todo digital, além de sem graça, é ruim de ler pelo conta-giros em formato de barrinha. E os parafusos à mostra na ligação do tanque ao quadro não escondem a opção pelo baixo custo, sem falar na antiga tampa do tanque que precisa ser retirada para abastecer.Honda-CBR-500-R-x-Kawasaki-Ninja-300-Carplace-49-620x413
Por outro lado, a Ninjinha 300 ganhou um painel muito mais atraente que o da antiga 250, com o conta-giros analógico em destaque e o velocímetro digital – tudo com uma iluminação azulada bem moderna. Fora isso, o acabamento é mais bem cuidado, sem parafusos à mostra e com plásticos texturizados, além da tampa do tanque estilo aviação e do escape mais compacto. O painel da Honda traz o útil medidor de consumo médio (no padrão europeu L/100 km), enquanto na Kawa apenas acende uma luzinha Eco quando você pilota de forma econômica.
Para complicar, porém, a CBR mantém o novo padrão Honda da buzina em posição invertida com a seta, que causa alguns sustos até você se acostumar.
Como esperado, a Ninja 300 parte de preço inferior: R$ 18.630 no modelo básico e R$ 21.662 na Special Edition com ABS. Já a CBR 500R cobra o extra de sua cilindrada superior, mas ainda assim a competitivos R$ 23.000 (standard) e R$ 24.500 com ABS. É preciso ficar atento, no entanto, ao sobrepreço cobrado pelas concessionárias Honda neste começo de vendas da CBR, que faz aumentar a diferença em relação à Kawa para quase R$ 7 mil. Além de mais barata, a Ninja também se revelou mais comedida no consumo: média de 23 km/l contra 20,8 km/l da Honda durante a avaliação.
No desligar dos bicilíndricos, fica a certeza de que a CBR é mais versátil. Vai bem na cidade, estrada e nas curvas, embora sem empolgar. Trata-se essencialmente uma naked média que recebeu carenagem, enquanto a Kawa é uma legítima esportiva, embora com motor pequeno. Ela faz a gente se divertir até numa ida à padaria da esquina. E como nosso objetivo aqui era caçar emoção, pode avisar pra garotinha que a Ninjinha ganha essa parada.

Ninja 300 ABS_action c.med

Ficha técnica – Kawasaki Ninja 300

Motor: dois cilindros paralelos, 8 válvulas, 296 cm3, injeção eletrônica, gasolina, refrigeração líquida;
Potência: 39 cv a 11.000 rpm;
Torque: 2,8 kgfm a 10.000 rpm;
Transmissão: câmbio de seis marchas, transmissão por corrente;
Quadro: tubular de aço;
Suspensão: garfo telescópico invertido na dianteira (120 mm de curso) e uni-track com amortecedor a gás na traseira (132 mm de curso);
Freios: disco tipo margarida na dianteira (290 mm) e na traseira (220 mm), com ABS;
Pneus: 110/70 aro 17 na dianteira e 140/70 aro 17 na traseira;
Peso: 174 kg; Capacidades:tanque 17 litros;
Dimensões: comprimento 2.015 mm, largura 715 mm, altura 1.110 mm, altura do assento 785 mm, entreeixos 1.405 mm

Motociclismo_Kawasaki Ninja 1000 Tourer (2)_640x408

Conforme antecipamos aqui, a Kawasaki do Brasil apresentou na pista da Pirelli em Paulínia (SP) seus dois primeiros modelos 2015: a sport touring Ninja 1000, que ganhou o nome de Ninja 1000 Tourer e a nova geração da naked Z1000, que recebeu cavalos a mais e um novo design. Enquanto o modelo orientado para longas viagens, apresentado no Salão Duas Rodas chega ao País em versão única apenas na cor verde e já com os freios ABS de série por R$ 56.990. Os diferenciais da Ninja 1000 Tourer são as malas laterais rígidas e o pacote eletrônico já conhecido em outros modelos da Casa de Akashi, como o controle de tração (KTRC) e dois modos de pilotagem (Low Power e Full Power).

Z1000_2015-1024x769

A naked chega ao Brasil em quatro versões, partindo de R$ 48.990

A Z1000, por sua vez, estreia no país suas linhas agressivas em quatro versões: duas sem e duas com os freios ABS. A de entrada estará disponível na cor laranja por R$ 48.990 por R$ 1 mil a mais será possível levar para casa a versão SE pintada em verde e cinza.  Já entre os modelos equipados com freios ABS, a mais acessível é novamente a de cor laranja, vendida por R$ 51.990, enquanto a Z1000 SE ABS na cor verde com cinza será comercializada por R$ 52.990.  As motos chegam às concessionárias no final de abril.

Matéria publicada em: infomoto.blogosfera.uol.com.br/
Por: Carlos Bazela